sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Série   “PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
21ª Parte
(24)(a) ERROLL GARNER         Excelência sem estudo
(Resenha longa em 03 módulos)

Boa parte do texto seguinte foi feito para trabalho conjunto com nosso falecido  amigo e Mestre LUIZ CARLOS ANTUNES, o “Lula”, quando pensávamos em escrever livro dedicado e esse gigante do teclado, ERROLL GARNER.
Escrevia “Lula” que a admiração dele por GARNER ocorreu no início da década de cinqüenta do século passado, quando o rádio ainda cumpria seu primordial papel de difusor cultural.   Certa tarde “Lula” foi atraído para perto do rádio por uma música executada por um pianista de forma totalmente diferente do que habitualmente se ouvia;  colou os ouvidos no aparelho, aguardando o anúncio do locutor e foi premiado:    -  Ouvimos  “Penthouse Serenade” com o pianista Erroll Garner.

Naquela época o comércio fonográfico ainda era incipiente, principalmente no que se referia a LP’s, então escassos.  Após infrutíferas buscas, foi orientado por amigos a procurar as “Lojas Murray” (centro da cidade do Rio de Janeiro), onde Jonas Silva, mais tarde proprietário do selo “Imagem”, importava discos sob encomenda.  Por sorte, lá estava o 10” da “Savoy” com o “Penthouse Serenade”.

Daí para a frente, procurou adquirir tudo o que ERROLL GARNER gravou, principalmente os LP’s lançados no Brasil.

Coletou o máximo possível de informações, organizando arquivo próprio com entrevistas, reportagens, “releases” e noticiário referente á estadia de ERROLL GARNER no Rio de Janeiro, quando se apresentou no Teatro Municipal em magnífica récita, ocorrida em 10 de julho de 1970 (viajou para São Paulo no dia seguinte, onde realizou 03 apresentações de 12 a 15 de julho, retornou ao Rio de Janeiro no dia 16 de julho, de passagem para temporada na Europa).

Entusiasmado com a idéia de “Lula” e tendo ouvido, admirado e desfrutado da arte pianística de ERROLL GARNER desde os anos 50 do século passado, dediquei tempo para pesquisar a vida desse músico excepcional.

Na verdade e na sua aparente (nunca real) limitação de “aproach”, GARNER possuía amplo senso de organização sonora, o que lhe permitia desempenho pianístico com sonoridade de grande orquestra, a par de ter sido um dos grandes improvisadores do JAZZ.

Os que tiveram a ventura de acompanhá-lo quase nunca sabiam o que seria executado.  Seu repertório, constantemente renovado, era vastíssimo e mesmo quando retornava a um tema, modificava o tempo, ou a harmonia, ou a tonalidade, conferindo execução inteiramente diferente da(s) anterior(es).   Um dos clássicos exemplos disso são as 04(quatro) versões que deixou registradas de “St. Louis Blues”.

Uma escuta atenta e uma análise aprofundada do extenso patrimônio discográfico que  GARNER nos legou, nos faz descobrir, sob a superfície luxuriante carregada de tons rapsódicos, de arpégios e aparência barroca, um admirável domínio da vizinhança de todos os estilos pianísticos:  é um pequeno universo do “piano-Jazz”.

Do “stride-piano” de James P. Johnson e “Fats” Waller(escute-se a versão de GARNER em setembro de 1945, do clássico “I Know That You Know”), ao “boogie-woogie”(“Boogie Woogie Boogie” de dezembro de 1944) e ao largo emprego dos “block-chords”(1953, “I’ve Got My Love To Keep Me Warm”), GARNER está sempre a vontade.

Mesmo não sendo um devoto do “Blues” dos quais poucos registrou, ainda assim e como demonstrou na gravação de “Way Back Blues” em 1956, possuía um “feeling” exato.

De resto suas mãos se multiplicam:   ataque poderoso com as duas, impressionante rapidez e destreza com a direita(ouvir sua versão de “Honeysuckle Rose” de janeiro de 1951), inconfundível e característica defasagem(ligeiro atraso) da direita em relação à esquerda(“Undecided” de março de 1949 é um primeiro de múltiplos exemplos) e completa independência entre as duas – o que lhe permitia combinar ritmos diferentes com absoluta naturalidade(ouça-se o registro de 1956 para “But Not For Me”).     Permanente carga de “swing”, alimentando incessantemente sua improvisação com inesgotável fantasia criativa, desenvolvendo ao infinito qualquer melodia, mesmo se banal, enriquecendo-a com adornos, tessituras rapsódicas, variações de timpre, até literalmente transfigurá-la.

Como episódio esclarecedor das execuções de GARNER, lembramos a exclamação de Jerome Kern após escutar as peças de sua autoria, “Who” e “Yesterdays”, gravadas por GARNER em março de 1955(texto da capa do LP “Erroll”, EmArcy MG 36.069):

“..........será possível que tudo isso seja obra minha ? ? ?  .............”.

É importante lembrar as magníficas “introduções” de GARNER, sempre inovadoras e imprevisíveis mesmo para ouvintes preparados, provocando a curiosidade e criando suspense até que, quando ele atacava o tema com seu inconfundível “Garner beat”, o auditório não podia fazer menos que explodir em ovação, descarregando a tensão acumulada e deixando-se envolver pela impressionanate cascata de notas.

Simples é ouvir e deliciar-se com a música de ERROLL GARNER, mas complexo é analisá-la.     Transcrevemos a seguir em tradução livre e adaptada, uma pequena parte do artigo de Mini Clar(revista “The Jazz Review” de janeiro de 1959, páginas 06 a 10), gentilmente cedido pelo “cjubiano”Carlos Augusto Tibau Ribeiro.

“........Analisar a música de ERROLL GARNER envolve o exame, não de um, mas de vários estilos de tocar.  Talves mais que qualquer outro pianista de JAZZ, ele sempre prosseguiu desenvolvendo seu estilo.   De um início razoavelmente simples, GARNER forjou continuamente a produção de uma crescente complexidade de idéias e de sons.  Sem importar o quanto seu desenvolvimento foi radical, ele sempre manteve identidade musical marcante em todo o seu trabalho. 

Três influências(ou raízes) são identificáveis no estilo de GARNER, a saber:  (1) o  Ragtime, (2) o Impressionismo e (3) o “Stride-piano” do Harlem à “Fats” Waller.   As harmonias luxuriantes e as sinuosidades sonhadoras, nas baladas em tempo lento de GARNER, vêm do Impressionismo;   o balanço e a jovialidade nas faixas em “up-tempo” derivam do Ragtime;   a vitalidade robusta e o humor insinuante que permeiam seu toque, vem de “Fats” Waller e da sua escola “Stride”.     Observe-se que essas raízes são puramente pianísticas, sem influência de estilos conseqüentes dos instrumentos de sopro..........................................Uma aproximação bem satisfatória pra o estudo do estilo de Garner pode ser obtida considerando:  melodia / harmonia / ritmo / cores tonais / expressão emocional.

Melodicamente GARNER utiliza cada recurso possível em sua improvisação:  as duas mãos executam papéis melódicos(padrões para a mão esquerda, trabalho de mãos cruzadas e freqüente alternância de fragmentos melódicos).   Em execuções com um único dedo GARNER emprega notas de enfeite, apogiaturas simples e duplas, arpégios ascendentes e descendentes, escalas cromáticas e diatônicas, escalas pentatônicas e repetição de notas.     A repetição constante de notas da melodia é uma marca registrada de GARNER:  notas ou acordes são repetidos duas ou três vezes por tempo.....”

Erroll Louis Garner, artisticamente ERROLL GARNER, nasceu em 15 de junho de 1921 na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia., a mesma cidade natal de tantos e tantos outros nomes importantes no JAZZ e nos espetáculos, que citaremos mais adiante.

A família era musical:  o pai era tenor na Igreja e um diletante do piano e de outros instrumentos(guitarra e bandolim em um conjunto amador), que tocava de ouvido;   seu irmão mais velho, Linton, tocava trumpete, piano e fazia arranjos, tendo chegado a colaborar com Billy Eckstine e Dizzy Gillespie;   as irmãs mais jovens, Martha e Ruth, estudaram piano.   Em contrapartida GARNER teve um irmão gêmeo, Ernest, que para desespero da família nasceu retardado e viveu muito tempo em um instituto de reabilitação psico-física.

Nesse ambiente a educação musical do menino GARNER estava garantida e ele logo demonstrou possuir audição e memória musicais extraordinárias:   o irmão Linton, em seguidas ocasiões, observou com indisfarçável inveja que o menino, mesmo sem conhecimento musical, era capaz de tocar qualquer música após ouvi-la uma única vez.

Sua irmã Ruth declarou a James M. Doran, biógrafo de GARNER, que quando este estava tomando lições de música, ao invés de aprender a ler as partituras memorizava os exercícios tal como a professora os executava no teclado:    depois os tocava sem respeitar as notas do pentagrama, mas à sua maneira, com digitação “heterodoxa” e interpretação toda pessoal.  Segundo a família GARNER com nada mais que 03 anos de idade já executava com as 02 mãos trechos de Art Tatum, Teddy Wilson, Earl Hines e “Fats” Waller:  ouvia os discos e os reproduzia de ouvido.

Claro que depois de cansativas e infrutíferas tentativas de ensinar a maneira “correta” ao menino GARNER, a professora recusou-se a prosseguir ensinando-o, até porque o interesse maior do seu aluno era o beisebal.

Deixado à sua sorte GARNER saiu-se muito bem, se confirmada a versão de que já aos 10(dez) anos participava de uma orquestra de jovens, a “Kan-D-Kids”, que se apresentava regularmente na rádio local(emissora KDKA).

Aos 11(onze) anos o menino GARNER tocou nos “riverboats” do Rio Allegheny.

Na escola e entre outros que o encorajaram a “ir para a estrada”, destacaram-se seu amigo Dodo Marmarosa e o então bem jovem Billy Strayhorn(ambos já então com sólida formação musical), assim como Fritz Jones(leia-se Ahmad Jamal), que foi um de seus principais seguidores musicais.        

Tantos músicos como contemporâneos ? ? ?     Claro que sim;  Pittsburgh foi importante celeiro de figuras do JAZZ ou ligadas ao mundo dos espetáculos, bastando citar-se, por exemplos e entre outros, os seguintes nativos:

Ahmad Jamal  -  Art Blakey  -  Babe Russin  -  Barry Galbraith  -  Billy Eckstine  -  Billy May  -  Billy Strayhorn  -  Bob Cooper  -  Christina Aguilera  -  Dodo(Michael) Marmarosa  -  Dakota Staton  -  Eddie Safranski  -  George Benson  -  Henry Mancini   -  Horace Parlan  -  Kenny Clarke - Lena Horne -  Mary lou Williams  -  Oscar Levant   -  Paul Chambers  -  Perry Como  -  Ray Brown  -  Roy Eldridge  -  Shirley Jones  -   Stanley Turrentine  -  Stephen Foster  -  Tommy Turrentine  -  Victor Herbert....ufa!!

GARNER não se exercitava muito e era do tipo que gostava de viver muitíssimo bem, mesmo sem possuir um piano à sua disposição.  A quem lhe perguntava qual era o segredo de uma técnica, respondia:

         “....basta sentar-me ante o piano e pedir às mãos que façam seu trabalho....”

Sempre será lembrada sua declaração(revista “Melody Maker”, dezembro de 1952) de que:

“....se posso soar melhor sem ler música, porque deve mudar meu estilo???... para mim é suficiente escutar, sentir a música  -  deixo a leitura para os outros....”

A carreira precoce a partir de então estava delineada e prosseguiria sem obstáculos.

 


Prosseguiremos  nos  próximos  dias

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 24

 Joseph Barry Galbraith, artisticamente BARRY GALBRAITH, nasceu no dia 18 de dezembro de 1919 em Pitisburg, estado da Pensilvânia, vindo a falecer aos 63 anos em 13 de janeiro de 1983 na cidade de Bennington, estado de Vermont. Aprendeu a tocar o banjo de forma auto-didata, sendo que no início dos anos 30 do século passado, portanto ainda na adolescência, passou a dedicar-se à guitarra após ouvir o guitarrista Eddie Lang acompanhando o cantor Bing Crosby. Iniciou-se profissionalmente nos clubes de Pittsburgh e arredores, sendo que em 1941 e com 22 anos atuou com Red Norvo e Babe Russin. Nessa época e já em New York chegou a integrar a orquestra de Teddy Powell, que havia constituído sua banda no ano anterior (1940), egresso da banda de Abe Lyman em New York. Teddy Powell adotou como prefixo de sua banda o tema “Blue Sentimental Mood”, chegando a atuar durante 01 ano no “Rustic Tavern” e a apresentar-se em diversos números do “Coca Cola Spotlight Band Show”.


Na banda de Teddy Powell, cujos arranjos eram assinados por, entre outros, Ray Conniff, chegaram a tocar músicos do calibre de Charlie Ventura, Pete Candoli e Milt Bernhardt. Isso significa que BARRY GALBRAITH, ainda que auto-didata, “cursou’ uma excelente escola prática. Ainda em 1941 e até 1942 BARRY passou a integrar outra banda importante, a do pianista, arranjador e líder Claude Thornhill, que antes de montar sua banda tocou nas de Hal Kemp, Benny Goodman, Ray Noble, Artie Shaw, Freddy Martin e outras, isto é, possuía vasta experiência no “metiê” das “Big Bands”. Tornhill havia iniciado sua banda no ano anterior e adotado como prefixo o tema “Snowfall”. Participou como banda fixa do programa de televisão “Judy ‘N Jill ‘N Johnny” nas temporadas de 1946 e 1947, gravou para as etiquetas Vocalion, Okeh, Columbia, Decca e Camden e, ao longo do tempo, teve como músicos integrantes de sua banda Conrad Gozzo, Irving Fazola, Nick Fatool, Billy Butterfield, John Graas, Dave Tough, Randy Brooks, Gil Evans, Gerry Mulligan e muitos outros. BARRY obteve sucesso e reconhecimento nesse período com Claude Thornhill, mas desligou-se da banda para servir nas Forças Armadas americanas de 1943 a 1946; retornou ao grupo de Thornhill nos anos de 1946 e 1947, época de participação da banda nos programas de televisão. Mais “escola” para BARRY GALBRAITH ! ! ! É importante assinalar que Claude Tornhill possuía sólida formação musical (sua mãe queria torná-lo pianista clássico), tendo estudado no “Cincinnati Conservatory” e na “University Of Kentucky”; Claude também serviu nas Forças Armadas, com destacada atuação na marinha. Ainda assim e em 1942 BARRY chegou a incorporar-se à banda de Hal McIntyre, sax.tenorista, clarinetista e flautista, que havia iniciado sua banda em New York no ano anterior. Essa banda gravou para as etiquetas Victor e Cosmo e adotou como prefixos os temas “Moon Mist” e “Ecstasy”. McIntire possuía, também, larga vivência no cenário das “Big Bands”, já que era egresso das formações de Glenn Miller, dos irmãos Dorsey (Jimmy e Tommy) e de Smith Ballew. Teve como músicos, entre outros, Clarence Willard, Vic Hamann, Dave Mathews e Larry Kinsey, contando com arranjos de Billy May. BARRY GALBRAITH, portanto, sempre teve participação em formações com músicos de primeira linha. De 1947 e até 1970 BARRY trabalhou no rádio, na televisão (orquestras das redes CBS e NBC) e nos estúdios de gravação, onde atuou com músicos de primeira linha, citando-se entre os principais Coleman Hawkins, Joe Newman, Betty Glamman (harpista então consagrada pela crítica e pelo público), Hal McKusick, Ralph Burns, o também guitarrista Tal Farlow, John Lewis (“remember” o Modern Jazz Quartet), Hank Jones, a vocalista Chris Connor, Sam Most, os arranjadores George Russell e Gil Evans, enfim, uma verdadeira “constelação” de astros musicais. BARRY granjeou enorme prestígio entre os músicos e as gravadoras e era nessa ocasião, muito provavelmente, o guitarrista mais ativo no panorama novairquino. Participou da gravação de mais de uma centena de de LP’s, quase que totalmente como “sideman” e tendo como titulares, além dos já citados anteriormente, Stan Kenton, Peggy Lee, Ella Fitzgerald, Tony Bennet, Benny Goodman, Benson Brooks, Tommy Shepard, o “Manhattan Jazz Septet”, Wild Bill Davinson, Willie Rodriguez e Jimmy Cleveland. Podemos ouví-lo integrando a sessão rítmica composta por ele à guitarra, Wynton Kelly, Keeter Betts e Jimmy Cobb (piano/baixo/bateria), na clássica e seminal gravação “For Those In Love” (março de 1955, todos os temas em arranjos de Quincy Jones) da cantora Dinah Washington (Ruth Lee Jones nascida em Tuscaloosa, estado do Alabama, em 29 de agosto de 1924 e falecida no dia 14 de dezembro de 1963, cantora de jazz, blues e música religiosa), com uma banda de qualidade superior: Clark Terry ao trumpete, Jimmy Cleveland no trombone (solando a “la Frank Rosolino” em “I Get A Kick Out of You”), Paul Quinichette no sax-tenor e Cecil Payne ao sax-barítono. Essa gravação nos permite acompanhar solos excelentes de todos os músicos, com Dinah em plena forma nos temas “I Get A Kick Out of You”, “Blue Gardenia” (canção tornada clássica por Nat “King” Cole e, nessa gravação de Dinah Wahington, com magnífico solo de BARRY GALBRAITH), “Easy Living” (excelente versão de Dinah), “If I Had You” e mais 06 standards do populário americano e sempre bem aproveitados no JAZZ. Também podemos apreciá-lo no documentário “After Hours” de 1961, 27 minutos, ao lado de Coleman Hawkins / sax.tenor, Roy Eldridge / trumpete, Johnny Guarnieri / piano, Milt Hinton / contrabaixo e Cozy Cole / bateria, em que é filmada uma “jam session” na madrugada do clube do mesmo nome (“After Hours”) em New York. O fato de atuar e gravar com grupos de outros titulares aparentemente não trouxe para BARRY GALBRAITH maior popularidade mas, com absoluta certeza, tornou-o um super-requisitado guitarrista por outros músicos, que o tratavam com um astro muito estimado. Gravou em seu nome ou com grande destaque para os selos DECCA (“Guitar And The Wind”), Bethlehem (“East Coast Jazz nº 8 With Hal McKusick”), Norgran (“Tal Farlow Álbum”), Jazz Kings (“Jimmy Hamilton Orchestra”) e Mea Coral (“Jazz At Academy”). Seu estilo sempre se revelou “moderno”, com toques inspirados em Charlie Christian, Jimmy Raney e Tal Farlow. Ainda que seu maior acervo de atuações e de gravações seja o de acompanhante e mesmo que auto-didata, GALBRAITH possuía uma técnica soberba, extraordinária, um solista que se destacou por sua delicadeza nas linhas melódicas e pelo “swing” sempre presente. Até o final da década de 50 do século passado GALBRAITH formou seção rítmica com Hank Jones, Milt Hinton e Gus Johnson (piano, baixo e bateria), grupo esse que permanece como referência, modelo e símbolo de coesão, de liberdade e de agilidade dentro dos cânones do JAZZ. Ai ele era um solista de “concerto” ! ! ! Durante os últimos anos de sua vida, 1971 e até quase o final de 1982, com problemas na coluna, BARRY dedicou-se ao ensino. Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo.
 PEDRO CARDOSO, São Paulo/SP, fevereiro/2013